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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Caminhando...Caminhando...Caminhando...Cami....

Momentos de triste reflexão. E nesta hora em que temos que pesar, medir, ponderar. É quando realmente percebemos que a força é um dom inerente do Ser Humano, que todos temos, e que sim, não temos a escolha de não usá-la... Ela brota do amâgo e por mais dilacerado e amedrontado que estejamos, não conseguimos recuar, ela nos impulsiona, temos que agir e encaramos a luta de peito aberto, cabeça erguida e uma força e valentia, que nunca imaginamos que pudesse existir.

Espero, que esta mesma força, me leve a tomar as atitudes corretas, que minha intuição não me abandone e principalmente que o universo facilite a concretização das decições.

Está doendo? Insuportavelmente. 
Estou quebrada? Completamente. 
Estou com medo? Apavoradamente.

 Mas sei que hoje a maior luta não é mais na esperança de vencer o inimigo, minha luta hoje, é admitir que mais uma vez esta doença maldita me venceu, que mais uma vez esta doença maldita destroí alguem que amo e me destroça, Minha luta hoje é aprender a perder com dignidade, E lutar para que quem eu tanto amo não seja consumido de forma desumana... E Cuidar de quem como eu está destroçado, e principalmente fornecer a quem amo a certeza que os amores dela serão imensamente bem cuidados.

 E hoje não dá mais para falar nada, quero apenas seguir, prosseguir e retirar as lições que meu maior inimigo pode me oferecer...Por que Sim, ele pode ter me vencido novamente, mas não, ele NUNCA vai me destruir.

Sonho Impossível
Maria Bethânia
Sonhar mais um sonho impossível 
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
 
Negar quando a regra é vencer
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão 
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

sábado, 2 de junho de 2012

TPV- Ou Carta para uma Zebra


Filha, enquanto eu escrevo vc está dentro de uma sala de aula na UNB enfrentando seu primeiro grande desafio profissional da vida, seu primeiro vestibular, e eu to aqui mesmo de longe juntinho de vc e incomodando todos os santos, especialmente Nossa Senhora de Fátima a quem te consagrei ainda bebe e que nunca abandonou nem a mim nem, ou a sua avó ou a sua bisavó e tenho certeza que nunca vai abandonar a você, para que vc encontre a paz e o equilíbrio necessário neste momento.
E mesmo sem querer, nestas horas da sua prova, percorro todo o caminho que trilhamos juntas até aqui, me vejo novamente assistindo Fivel Um sonho Americano, enquanto espero as três horas que o Beta levou para confirmar que vc crescia em meu ventre.  Me vejo durante a doença da sua bisavó, sofrida, magoada, lutando contra o medo da perda iminente e encontrando força para sorrir porque vc já estava ali comigo, e no enterro dela era o amor infinito que já sentia por ti que me deu força para me despedir de quem tanto amava...
E apressada como sempre você chegou ao mundo dois meses antes, num domingo a noite e quase matando seu pobre tio que dirigindo desesperado para o hospital, destruiu o carro no caminho... Não deixaram eu te ver quando vc nasceu, mas jamais esquecerei a onda de amor infinito que tomou conta de mim a primeira vez que de vi... ali minduinha toda cor de rosa numa incubadora fria... Mas vc sempre foi forte e decidida e em menos de 15 dias venceu todas as dificuldades e enfim pudemos ficar realmente juntas...
E Vc foi crescendo, sempre meiga, responsável, carinhosa... Ainda brigava para não misturarem o Nescau na sua dedeira e já se vestia sozinha, e encantava a todos com seu amor pelos livros... te vejo miúda, num sábado a tarde esperando tia Socorro para te levar para a livraria e lá vcs duas eram crianças, apaixonadas pelo mundo encantado que só os livros nos proporciona... E já naquela época  vc era enfática ao dizer que quando crescesse seria medica, mais ainda afirmava que seria cardiologista para poder cuidar e curar seu avô.
O tempo foi passando,  e então você cresceu... E já não era mais minha anã de jardim, era uma moça linda, meiga e tímida que dói... o medo bateu e vc passou a falar que não sabia se faria medicina ou não, mas nunca foi capaz de se imaginar fazendo qualquer outra coisa na sua vida que não a tua sonhada medicina... Mas eu filha, eu NUNCA duvidei que vc vai conseguir, que não importa se a disputa é de meio por vaga ou de 130 por vaga. Sempre tive certeza que vc vai conseguir, por um motivo simples, vc é capaz e só o que move o ser humano são os sonhos e desejos reais, daqueles que queremos acima de tudo sabe¿
Neste caminho, sei que errei muito e muitas vezes, mas filha, infelizmente as mães também são humanas e a gente erra, erra pra cacete, mas tenha a certeza que nenhum destes erros foi por falta de amor ou por não acreditar em vc... Talvez tenham sido justamente pelo contrario, por te amar demais e ser esta ogra estranha que sou... e só tenho a certeza que não errei em tudo por vc ser quem é... Eu não poderia ter errado em tudo e vc ser esta mulher tão fantástica que vc é!
E agora, enquanto vc faz tuas provas, eu pertubo Nossa Senhora de Fátima e escrevo para vc tudo ao mesmo tempo, paro de olhar para trás e ao olhar para frente vejo teu sonho logo ali, prontinho pra vc, te esperando de braços abertos e louco para pular no teu colo... Tenho ainda mais certeza que o sucesso é teu e JÁ É REAL. Queria apenas que vc soubesse que este não é apenas o teu sonho de vida, mas é o meu pois o meu maior sonho sempre foi que você fosse a mulher mais feliz do mundo!
Eu ACREDITO EM VOCÊ!!! Sempre, desde sempre e para sempre!
                                        A Medica mais GATA de 2018

quarta-feira, 9 de maio de 2012

E eu Tenho duas Mães que coabitam dentro de mim


Como é difícil nos avaliarmos no desempenho de um papel tão importante, mas constato que na verdade sou duas mãe  absolutamente diferentes entre si,cheias de erros e acertos, que talvez a única coisa em comum é um amor descomunal pelos seus filhos. Uma é a mãe da Zebra, a outra é a mãe das crianças. Sei que isto causa uma ciumeira duzinferno e não sei se é correto, mas é assim que rola e sou sincera demais com meus filhos para fazer tipo e fazer de conta que sou a mesma para os três.

A mãe da Zebra, sempre foi hiper exigente com uma serie de coisas... ela sempre teve que ser super educada, a alimentação muito controlada,  cobrança com os estudos sempre foi rígida, confesso que com ela sou muito mais ditadora do que gostaria, apesar de acreditar que a conversa exaustiva é o melhor caminho, sempre rolou momentos de autoritarismo extremo, não sei se o fato de tê-la criado sozinha fez com que eu ME cobrasse demais e acabasse transferido esta cobrança para ela, afinal tinha que provar que era capaz de dar conta sozinha... qualquer deslize seria um fracasso apenas MEU. Entretanto contraditoriamente, ela sempre pode e sempre conversou sobre TUDO comigo, não que eu fosse a melhor amiga dela, nunca fui e nunca vou ser: SOU MÃE, amigas ela vai fazer vida a fora mãe será sempre UMA... Sempre soube que por menos que eu concordasse iria respeitar, sem, entretanto permitir... Acho que aceitei, tivemos nossa prova de fogo ano passado, claro que ouve mágoas, afinal pais e filhos são humanos e faz parte das relações profundas, mas apesar de hoje ela estar em Brasília o AMOR e a relação sólida construída ao longo dos anos prevaleceu, e apesar da saudade os 1200KM não impedem de termos uma relação de mãe e filha, onde rola além da cumplicidade, esporro e castigo.

A mãe das crianças já é uma mãe mais relax, a cobrança não é tão pesado, as regras são mais flexíveis e tenho que confessar que muitas vezes eles me levam no papo... Como toda mãe me preocupo com a alimentação, mas aprendi que comer besteira faz parte da vida, e não acrescento um cabelo  branco quando em pleno dia de semana HL cisma que não quer comer e passa um dia inteiro a base de cheetos, miojo e nuggets... Sei que no dia seguinte ele vai compensar acabando com todas as frutas da fruteira. E se pode rolar pastel com Coca cola numa janta de quarta-feira, também é normal uma bela massa com brócolis em pleno domingão...

A Mãe das crianças também tem mais tempo, já é uma profissional reconhecida em sua área e não precisa correr atrás feito uma louca para se firmar profissionalmente, e se dá ao luxo de cabular trabalho no meio da semana para ficar de chamego, ou brincando de cocequinhas embaixo do cobertor num dia frio de inverno... Mas em compensação só a mãe da Zebra praticou cama compartilhada até os 8 anos da pequena quando a mãe casou novamente ( e até hoje  de vez em quando o marido é expulso da cama para que eu possa dormir  sentindo o cheiro gostoso que só as zebras quadriculadas possuem).

 Mas estas duas mães que coabitam na minha vida também são capazes de intercambiar experiências, e se a mãe da zebra ensina para a mãe das crianças que muitas vezes vale a pena pegar pesado e colocar de castigo até completar 40 anos, a mãe das crias aprendeu que pode e VAI errar, não uma nem duas, mais inúmeras vezes... E que o ideal é o caminho do meio.... Estou em busca dele, muitas vezes caio para o 20, outras descambo para o 60, pouquíssimas vezes me mantenho no 44 mas me orgulho de nunca ter pego o caminho do 8 menos ainda o do 80.

E no meio de tantas diferenças, o tamanho e a qualidade do amor são os mesmos, cada um expresso em uma forma, cada qual com suas cores e dores mas sempre com a certeza que só depois de ter parido cada um deles alcancei a plenitude e pude experimentar o verdadeiro poder do amor.


terça-feira, 13 de março de 2012

FELICIDADE Brilha no Ar


E daí que hoje é dia de festa! Dia de pular, cantar, dançar.... Finalmente a mais esperada notícia de todos os tempos chegou: Mamãe está LIVRE do câncer!!!!!!!!!!!!!!
Foram meses de angustia, de luta, de medo e de dor, e hoje eu posso falar sem medo CONHEÇO A FELICIDADE, não aquela felicidade passageira de uma noite legal, ou um vestido novo ou mesmo de um trabalho reconhecido, mas a felicidade construída, gestada, parida. E sinceramente não há palavras para descrever...
Esta foi uma gestação difícil, complicada, onde muitas vezes pensei em desistir e temi não ver o fruto dela, mas o dia do parto chegou e com ele a sensação de realização plena. E posso dizer sem medo de errar que hoje sou FELIZ, tenho uma família linda, um casamento sólido, construído a base de amor, erros, concessões, acertos e principalmente muita VERDADE. Tenho um emprego que amo e onde me sinto plenamente realizada, e para coroar minha vitória veio o milagre esperado e merecido minha mãe liberta da doença maldita... Claro que agora entramos numa fase de acompanhamento, teremos 5 anos de controle antes do diagnostico de cura, mas sei que serão 5 anos tranquilos, onde saberemos lidar com qualquer adversidade para ouvir finalmente a palavra CURA.
Hoje comemoro a palavra REMISSÃO, e agradeço imensamente à minha família; Aos meus filhos queridos que souberam cuidar de mim quando eu não era capaz de cuidar deles; Ao meu marido amado, que apesar de tudo e principalmente de todos sempre esteve ao meu lado me amparando e me fortalecendo; Aos meus amigos que aturaram o meu mimimi e não deixaram a peteca cair mesmo quando eu estive insuportavelmente chata ou pessimista; À minha mãe que com sua força inigualável foi capaz de vencer o invencível; Aos meus inimigos e a quem não gosta de mim, saibam que a cada palavra negativa que proferiam sobre mim, o universo retornou em bênçãos e força a fim de que a vitória tivesse hoje este gosto tão doce, sem vcs certamente ela não seria tão comemorada. E principalmente a DEUS, Jeová, oxalá, ou o nome que tenha a força criadora que sempre me susteve e me deu a certeza que eu jamais estaria sozinha.
Enfim hoje é dia de festa, de comemoração e principalmente de agradecimento. E de dizer que sim a FELICIDADE completa é possível e que o caminho para chegar a ela é o mais simples de todos: Acreditar que ela é REAL.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dilemas Maternos... E quem tem a razão?

E o eterno dilema da Maternagem continua a se proliferar, há algum tempo atrás o grande drama era apenas sobre Parto Normal X Cesárea, afinal você só era mãe e digna do seu filho se tivesse parido ele no meio de dores lancinantes, pois até a analgesia era o maior dos crimes que você poderia cometer contra seu pobre e indefeso filho...
 Passou-se algum tempo e o discurso evoluiu para a amamentação, você só amava o seu filho e só era digna da alcunha mãe se o tivesse amamentado exclusivamente no peito  até os 15 anos de idade, e se por acaso, seu leite tivesse secado, não produzisse o suficiente, tivesse algum problema de saúde que impedisse a amamentação você era simplesmente excluída das rodas das ‘antenadas’ que amavam os filhos acima de qualquer sacrifico...
Chegamos à segunda década do século XXI e agora a grande discussão é o retorno das mulheres ao lar, assumindo o papel de mãe 24 horas, e novamente vejo o radicalismo se impor sobre o bom senso, alimentados por meia dúzia de artigos ‘acadêmicos’ baixados através do são Google e que em 5 segundos transformam as xiitas em  doutoras em educação infantil formadas pela Sorbone...
Sinceramente, acho muito legal o retorno da mulher ao lar, o se permitir optar pelo papel que deseja assumir e pagar os prós e contras que cada escolha faz, mas não acredito que por isto os filhos destas sejam mais amados, educados, maduros, descolados, inteligentes ou seguros dos daquelas que trabalham fora seja por opção ou por necessidade como é a realidade da maioria das famílias brasileiras...
Eu particularmente, bem como a maior parte das mulheres que fazem parte do meu convívio direto, trabalho fora e mesmo que amanhã eu ganhe na mega acumulada e dinheiro passe a ser o últimos dos meus problemas, eu jamais deixaria de trabalhar fora!!! Sempre falei que só sou mãe, pois sou mulher e jamais conseguirei ser uma boa mãe  se não for feliz como mulher, como individuo... Amo meus filhos mais do a minha própria vida, mas eles não são e nunca serão o centro da minha vida. Este lugar é meu e não abro mão dele para ninguém! Os respeito demais como indivíduos para exigir deles tamanho sacrifício... Imagina a responsabilidade de aos 3, 5 anos ser o centro da vida de um adulto? Não... É carga demais para os ombrinhos dos meus pequenos...
E talvez justamente por isto seja a melhor mãe do mundo para os meus filhos... Pois quando estou com eles estou vivendo a plenitude do meu papel de mãe, e não preocupada com o meu papel de mulher, esposa ou individuo, naqueles momentos eles me tem por completo e quando não estou, têm a certeza que daqui a pouco estou de volta , integra e INTEIRA para eles, que sempre estarei ali pronta para me doar e para recebê-los.
Sua opção é diferente? Que ótimo!!! Provavelmente foi o melhor arranjo para sua família e para os seus filhos. Você dá conta de tudo sozinha, sem auxilio de babas, creches, avós? Parabéns! Isto deve te realizar como individuo e talvez por isto desempenhe tão bem o papel! Acredito realmente que sua família é feliz, que teus filhos, cachorros e samambaias de prasticu são organizados, lindos, saudáveis, plenos e acima de tudo felizes.
 Mas por favor, não venha desrespeitar a minha decisão, a minha escolha e muito menos acreditar que é mais mãe do que eu por conta disto , ou que seus filhos são mais amados do que os meus, porque aí sim eu vou ter que acreditar que a tua vida é um conto de fadas e que como  todo conto de fadas só existe na imaginação de quem os criou.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Minha Infância

Atendendo a convocação da Ingrid Strelow do Blog Desconstruindo a Mãe, hoje parei para lembrar com carinho da minha Infância.
Fui criança nos anos 70 inicio dos 80... e por mais que eu tenha lembranças maravilhosas da minha infância duas me perseguem e me mostram até hoje que desde sempre fui esta criatura meiga e briguenta que sou até hoje.
A primeira estou de cavalinho nos ombros do meu pai, tinha acabado de assistir Pluft o fantasminha e tomava uma garrafa de BIDU, o precursor da Fanta uva. É até hoje é nítida a sensação de segurança e poder que aqueles ombros me transmitiam.
A outra tinha acabado de aprender a andar de bicicleta há pouco, era uma fedelha de quase 7 anos, mamãe estava chegando em casa do trabalho e me pega pulando a casa de um vizinh o que era no mínimo o triplo do meu tamanho. Ao ser questionada sobre o que eu estava fazendo de pronto foi surpreendida com minha resposta: nada não mãe, só vou ali quebrar a cara deste moleque FDP que acabou de xingar você. Não dei tempo nem de ela poder responder, entrei lá enchi a cara do moleque de sopapos levei meu quinhão de mordidas e saí de lá com a alma leve e o coração em paz.
Assim foi a minha infância sempre encontrando aconchego nos braços dos meus pais, você para curar um machucado e não foram poucos, só para exemplificar meu pai era diretor administrativo do maior hospital de Brasília e chegou a um ponto que no PS ele era só o Pai da Beta e não o DR.Berrondo e não foram poucas as vezes que mamãe largou a sala de aula para ir socorrer a filha que tinha quebrado o cotovelo, cortado a cabeça, caído de Bicicleta ou de cima de uma arvore de cabeça no chão. Ou aconchego para espantar o monstro do escuro, preparar o remédio milagroso de agua com açúcar que curava todos os meus medos, ou simplesmente ficar abraçados quando o bicho pegava feio...
Minha infância teve arvore, bicicleta, bet, voley na rua, pique pega , pique esconde e pique bandeira, quase nenhuma TV mas muito mingau  de farinha láctea, macarrão ao alho e óleo preparado por papai aos domingos acompanhado da melhor limonada suíça do mundo. E especialmente muito amor, carinho e proteção.
E hoje como mãe, espero chegar ao menos aos pés do que foram os meu Pais: Carlos Berrondo e Antonieta Berrondo. Literalmente tudo que sou devo e agradeço a vocês


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Câncer e eu

A primeira vez que tive contato com o câncer foi no final dos anos 70, inicio dos 80, era uma menininha e assisti inúmeras vezes o filme: "Um Dia de Sol" (Sunshine, 1973, de Joseph Sargent), mamãe adorava o filme, eu achava a história emocionante e assistíamos juntas todas as vezes que ele passava na TV, jogadas sob a cama dos meus pais, comendo besteira e falando sem parar.
 O Filme contava a história de uma mulher jovem, casada com seu grande amor, com uma filhinha pequena e que descobria ter câncer no joelho, e começava a gravar uma série de fitas para deixar de recordação para que a filha a conhecesse. Lembro que em determinada parte do filme era dado a ela a opção de que cortasse a perna para tentar se curar, e ela recusava. Neste ponto invariavelmente eu e mamãe discutíamos, e o tema era sempre o mesmo, mamãe achava que ela estava certa em não se deixar mutilar, e eu achava que ela não tinha o direito de morrer e deixar a filhinha longe dela. E sempre ao terminar o filme eu relatava a raiva que eu tinha daquela doença que roubou a mãe da menininha.
Os anos se passaram, eu cresci, vi inúmeros outros filmes, alguns Cult, muitos água com açúcar e em 1994 dois dias após descobrir que carregava a Zebra em meu ventre recebemos a notícia que minha avó, dinda, exemplo de vida, matriarca da família estava com câncer no fígado, o médico foi direto e deu no máximo 4 meses de vida, ela não teve nem a oportunidade de tentar lutar contra a doença que já havia tomado seu fígado por completo. A família praticamente se mudou para o hospital, e assistimos aquela mulher forte, que trabalhava das 7 da manhã até a hora em que o trabalho exigisse, Poderosa e respeitada por aliados e opositores em seu meio de trabalho, definhar e se consumir diante de nossos olhos sem que nada fossemos capazes de fazer para libertá-la ou mesmo aliviar seu sofrimento! Ela encarou tudo com a dignidade de sempre, e antes de partir 3 meses após a descoberta de sua doença, fez questão de abençoar a bisneta que jamais viria a conhecer.
Quase 17 anos depois do meu ultimo encontro com o câncer, por volta do meio dia recebo uma ligação de Brasília, era mamãe, relatava que o médico havia encontrado um nódulo enorme no seio esquerdo, e que a probabilidade de ser câncer era alta.  O Mundo rodou, comecei a enjoar, as lágrimas brotavam em meus olhos enquanto eu tentava manter a voz firme e falar palavras de incentivo, que não seria nada, e que se fosse estaríamos juntas.
Poucos dias e muitos exames depois veio a comprovação, um carcinoma imenso, de tipagem rara e agressivo, tomava conta do seio de minha mãe... No primeiro momento tive raiva, depois tive medo e logo em seguida me veio uma força imensa de lutar com ela contra aquela que desde minha primeira infância era a doença que sempre me aterrorizou. Perder esta luta não é uma opção válida. Sei que juntos, ela, os médicos, os filhos, a família, os amigos vamos superar e vencer este obstáculo. Entretanto a certeza da cura e da vitória final não torna as batalhas menos dolorosas. Apesar da distância física que nos separa ela sabe que estou incondicionalmente ao lado dela para tudo e para qualquer decisão que ela tome, mesmo que uma hora seja desistir de brigar...
E hoje, tantos e tantos anos depois, me sinto novamente como aquela menininha de 6, 7, 8 anos... E só queria poder me teletransportar para Brasília e novamente me deitar na cama dos meus pais e escutar a risada gostosa da minha mãe quanto eu afirmava que jamais deixaria esta doença boba levar alguém que eu amasse

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um pouco de muita coisa, ou quase nada.

  Acordo cedo, para variar correndo e atrasada, enquanto tento dar um jeito na juba, rola o chamego matutino normal de todos os dias, filhos prometem fazer gol para mamãe na aula de futebol, Juram que não vão se matar brigar, e no meio do corre-corre Hugo Leopoldo me agarra pelas pernas, olha com olhinhos marejados e solta com voz melosa: "Mamãe fica em casa comigo, só hoje, por favor.... " Coração aperta, mantenho a pose de forte, abraço meu menino e me vejo obrigada a dizer NÃO, enquanto o coração grita: SIM, SIM, SIM um passito para frente Maria!!!
Chego ao trabalho em cima da hora, para variar um pouquinho, o servidor não colaborou e até aquele momento só carregou metade dos trocentos e vinte cinco trilhões de registros que ficou processando na madrugada, espaço em disco estoura, e a trouxa aqui  tenho que explicar a mais elementar lei da física: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, para quem deveria estar cansado de saber disto, criatura tenta se virar em mil e desenhar para enfim conseguir finalmente se fazer entender, e começa a rezar para que lhe concedam o espaço necessário a tempo de não comprometer muito, o cronograma do projeto!
Alguns segundo de sossego, niqui lembro que hoje é quinta, dia 22 e que dali a algumas horas, mamãe estará com o cirurgião para enfim marcar a data da mastectomia. Cabeça começa a rodar, será que velho babão  papai vai lembrar de perguntar tudo? Porque não fazer outro PET antes da cirurgia? Será que realmente o doido cirurgião vai fazer a mastectomia radical bilateral? E o útero? Será que vai topar tirar tudo na mesma cirurgia? Eu heim, é um monte de louco, cirurgia grande demais, aberta demais, prolongada demais, com anestesia demais, gosto não, tenho medo... E depois a recuperação? Que vai conseguir amarrar manter a louca mamãe sem querer carregar o Carlinhos que já tem corpo de homem de 21 anos de um canto pro outro fazendo força e estourando os pontos tudo?
Converso com meus botões, quero esconder de mim mesma que estou com medo, olho para o relógio e o tempo não passa, ela deve estar entrando agora na sala do médico, TICTAC, TICTAC, TICTAC, o relógio hoje está de mal comigo, olho para o celular penso em ligar para meu pai e na certeza de levar um esporro passa fora menina, por estar atrapalhando a consulta, desisto guardo o celular e me acabo numa barra de diamante Negro AND 25 balas Juquinha.
E o Regime? Bem, eu realmente PRECISAVA de uma barra de Diamante Negro, as Balas Juquinha? Putz,tem gosto de Infância e hoje eu realmente queria estar lá praça jogando futebol com meus moleques...
 Resultado, deixei de perder alguns gramos, adicionei algumas calorias, mandei a dieta as favas,  mas ganhei em carinho, e reativei minhas forças para me jogar dicum força na brincadeira de luta com os mininutudu logo que chegar em casa!!!

A prevenção é fundamental no combate ao câncer de mama!!!