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sábado, 2 de junho de 2012

TPV- Ou Carta para uma Zebra


Filha, enquanto eu escrevo vc está dentro de uma sala de aula na UNB enfrentando seu primeiro grande desafio profissional da vida, seu primeiro vestibular, e eu to aqui mesmo de longe juntinho de vc e incomodando todos os santos, especialmente Nossa Senhora de Fátima a quem te consagrei ainda bebe e que nunca abandonou nem a mim nem, ou a sua avó ou a sua bisavó e tenho certeza que nunca vai abandonar a você, para que vc encontre a paz e o equilíbrio necessário neste momento.
E mesmo sem querer, nestas horas da sua prova, percorro todo o caminho que trilhamos juntas até aqui, me vejo novamente assistindo Fivel Um sonho Americano, enquanto espero as três horas que o Beta levou para confirmar que vc crescia em meu ventre.  Me vejo durante a doença da sua bisavó, sofrida, magoada, lutando contra o medo da perda iminente e encontrando força para sorrir porque vc já estava ali comigo, e no enterro dela era o amor infinito que já sentia por ti que me deu força para me despedir de quem tanto amava...
E apressada como sempre você chegou ao mundo dois meses antes, num domingo a noite e quase matando seu pobre tio que dirigindo desesperado para o hospital, destruiu o carro no caminho... Não deixaram eu te ver quando vc nasceu, mas jamais esquecerei a onda de amor infinito que tomou conta de mim a primeira vez que de vi... ali minduinha toda cor de rosa numa incubadora fria... Mas vc sempre foi forte e decidida e em menos de 15 dias venceu todas as dificuldades e enfim pudemos ficar realmente juntas...
E Vc foi crescendo, sempre meiga, responsável, carinhosa... Ainda brigava para não misturarem o Nescau na sua dedeira e já se vestia sozinha, e encantava a todos com seu amor pelos livros... te vejo miúda, num sábado a tarde esperando tia Socorro para te levar para a livraria e lá vcs duas eram crianças, apaixonadas pelo mundo encantado que só os livros nos proporciona... E já naquela época  vc era enfática ao dizer que quando crescesse seria medica, mais ainda afirmava que seria cardiologista para poder cuidar e curar seu avô.
O tempo foi passando,  e então você cresceu... E já não era mais minha anã de jardim, era uma moça linda, meiga e tímida que dói... o medo bateu e vc passou a falar que não sabia se faria medicina ou não, mas nunca foi capaz de se imaginar fazendo qualquer outra coisa na sua vida que não a tua sonhada medicina... Mas eu filha, eu NUNCA duvidei que vc vai conseguir, que não importa se a disputa é de meio por vaga ou de 130 por vaga. Sempre tive certeza que vc vai conseguir, por um motivo simples, vc é capaz e só o que move o ser humano são os sonhos e desejos reais, daqueles que queremos acima de tudo sabe¿
Neste caminho, sei que errei muito e muitas vezes, mas filha, infelizmente as mães também são humanas e a gente erra, erra pra cacete, mas tenha a certeza que nenhum destes erros foi por falta de amor ou por não acreditar em vc... Talvez tenham sido justamente pelo contrario, por te amar demais e ser esta ogra estranha que sou... e só tenho a certeza que não errei em tudo por vc ser quem é... Eu não poderia ter errado em tudo e vc ser esta mulher tão fantástica que vc é!
E agora, enquanto vc faz tuas provas, eu pertubo Nossa Senhora de Fátima e escrevo para vc tudo ao mesmo tempo, paro de olhar para trás e ao olhar para frente vejo teu sonho logo ali, prontinho pra vc, te esperando de braços abertos e louco para pular no teu colo... Tenho ainda mais certeza que o sucesso é teu e JÁ É REAL. Queria apenas que vc soubesse que este não é apenas o teu sonho de vida, mas é o meu pois o meu maior sonho sempre foi que você fosse a mulher mais feliz do mundo!
Eu ACREDITO EM VOCÊ!!! Sempre, desde sempre e para sempre!
                                        A Medica mais GATA de 2018

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mãesdemerda e Pobres filhos



E como tudo na vida tem dois lados e eu simplesmente detesto qualquer radicalismo, resolvi escrever sobre o outro tipo de mãe ao extremo. Aquela que acha que seus filhos são mini adultos, feitos de ferro e os conservantes, congelados e cheetos estão aí para facilitar a vida mesmo. Enchem a boca para falar que são mães, mas quem consola seus filhos quando estão com medo ou zelam numa noite de febre alta, são suas babás de uniforme alvíssimo, as pobres avós, ou mesmo as professoras da escola ou a MÃE de algum amiguinho.

Seus filhos são mero acessórios em sua vida, afinal a família, os amigos e até os desconhecidos cobram a maternidade depois de algum tempo de casamento. E vamos combinar, pouquíssimas são MULHERES para assumirem que não querem ter filhos, em uma sociedade que ainda vê filhos como o sucesso de uma relação. Ou pior, são frutos de uma louca que dispôs da vida de outra pessoa com a intenção de segurar um ‘amor’...

Durante a gestação acham um saco as transformações em seus corpos e não abrem mão de seus saltos agulha ou mesmo de sua alimentação desequilibrada, continuam suas agitadas vidas sociais regadas a baladas e álcool e ainda tem a cara de pau de usar o argumento de serem donas do próprio corpo, como se a partir do momento que decidimos ter filhos, nosso corpo não passasse a coexistir em outro ser.

Amamentar? NUNCA! Afinal os cientistas não passaram anos pesquisando formulas infantis a toa. Com certeza elas são o suficiente para nutrir aquela criança, e, além disto, ela não é doida de correr o risco de ver seus seios despencarem por conta de uma ‘tradição sem fundamento’. Anticorpos? para isto existem as vacinas, polivitaminicos e mais mil e uma panacéia lançadas anualmente pela indústria farmacêutica.

Alimentação sudável? Nossa, isto dá um trabalho... e ela tem certeza absoluta que as empresas alimentícias estão aptas para dar conta disto. Suco de frutas? Dá muito trabalho, pega ali um saquinho de suco em pó, afinal na embalagem está escrito “ contém vitaminas”. Acordar cedo e preparar um bom café da manhã para seus filhos? Para quê?  Basta abrir o armário e pegar um saco de batatas fritas, e ainda diz que não se preocupa pois seus filhos tomam leite todas as manhãs na caixinha de toddynho que acompanha as batatas. Ainda se emproa para dizer que seus filhos amam o tipo de alimentação que lhes é oferecida é que os amiguinhos morrem de inveja dos seus filhos.

Brincar com seus filhos? Ter e criar tradições familiares? Pra que ? Estamos no século XXI e os programas da TV atualmente tem conteúdo ‘pedagógico’... Além disto a novela, a manicure, a conversa ao telefone, a balada, o sono são tão menos entediantes... e ela é mulher, precisa ter tempo para as coisas dela. Além disto, a babá ganha um bom salário ou a vovó se acha tão útil... seria até desumano tirar estas tarefas delas...

 A Criança está agressiva e tendo problemas na escola? Não tem problema, ela contrata um bom psicólogo, ou ainda oferece um chocolate para o filho antes de ir para a balada, mas ele tem que prometer que vai ficar bonzinho... A professora  manda bilhetes diários pedindo que ela compareça a escola? Nossaaaaaaaaaaaaa, esta professora deve ser uma desocupada. E quando finalmente ela comparece à escola para se ver livre daquela desocupada que persegue seu anjinho, e é informada que seu filho de 8 anos, apresenta SÉRIOS problemas de comportamento, inclusive bolinando todas as coleguinhas e professoras da escola, e relata que aquilo é normal pois o namorado da mamãe faz e ela RI... ela diz que vai contornar o problema comprando aquele presente MEGA caro que o filho pediu ontem, se ele prometer que vai se comportar. ( Sério! Esta cena aconteceu COMIGO quando eu era professora!!!)

Mas basta aparecer a festinha do filho de uma amiga do trabalho, ou um evento onde criança seja bem vida para elas vestirem a capa de MÃE, e pode ter certeza nestas ocasiões seus filhos invariavelmente são os mais bem vestidos da festa e seu olhar chega a transbordar ternura...Mas logo que deixam de ser úteis são novamente delegados ás avós ou babás, que tentarão educar, acarinhar, proteger e zelar por aqueles pequenos, mesmo que suas funções sejam absolutamente diferentes destas Avó foi feita para deseducar, e babá para cuidar segundo a orientação dos PAIS, nos momentos que estes estão ausentes, seja por trabalho ou mesmo em alguns momentos de lazer...

E estes pobres filhos crescem, sem rumo, cometendo atos cada vez mais absurdos na tentativa mãe de alcançar um segundo de sua atenção, e as meninas.... Provavelmente se tornam projetos de periguetes, sem nenhuma auto estima, trocando seu corpo por segundos de atenção de um estranho, enquanto os meninos tradicionalmente se tornam pityboys, usando a violência também na tentativa desesperada de algum olhar daquela mãe.

Sinceramente não sei quem faz mais mal a seus filhos, se as ‘supermães’ ou se  as ‘mãesdemerda’, mas sinceramente acho que ambas são mulheres desequilibradas, que usam seus filhos para cumprir uma função social doentia que elas criaram em suas cabeças, mulheres que definitivamente não deveriam ter parido e que estão longe de honrar a grandeza que o título de MÃE carrega consigo.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

A má criação e a conversa

HL, meu pequeno ogro tem andado com a corda toda!!! Para quieto ele nunca serviu, mas na maior parte do tempo é um menino dócil e nunca tinha apresentado problemas na escola, pelo contrario, ás professoras até estranhavam quando relatávamos as artes dele fora da escola, mas nas ultimas duas semanas, só gizuznacruz para dar jeito no moleque...
Desde que nos mudamos o moleque anda a toda, briga com a irmã, desrespeita a pobre Lêle, faz birra e chantagem e como se não bastasse começou a xingar, 'babaca, desgraçado,ordinário' viraram palavras comuns na boca do pequeno ogro e muitas vezes nos fez contar até mil para não virar a mão na boca dele, além claro de nos deixar com a pulga atras da orelha sobre onde ele aprendeu este palavreado, sou a maior boca suja que conheço, mas não falamos estas palavras aqui em casa, mesmo quando discutimos entre casal este não é o tipo de palavreado que usamos, e até onde eu saiba o vocabulário da Discoverey Kids é bem mais brando que este.
 A cada birra, ou ataque de má criação dele, brigávamos, colocávamos de castigo, confiscamos brinquedos, ele prometia que não faria de novo e não tinha jeito dali a menos de 10 minutos já estávamos berrando e nos descabelando de novo com ele... Já não sabia mais o que fazer, mas como na escola as coisas ainda estavam bem eu estava relativamente tranquila, achava que era mais uma crise  de  insegurança, provocada pela mudança e pela crise de asma e que ele estava apenas querendo chamar a atenção.
 Só que ontem ao chegar em casa do trabalho vem a triste surpresa: Um bilhete na agenda! A professora reclama do mal comportamento e alega que ao receber uma ordem ele prontamente rebate: você não manda em mim. eu faço se eu 'querer'. Como asseaaaaaaaaaaaaaam? Quis matar, quis morrer, pensei em dar uma surra com vara de marmelo ou em deixar de castigo até os quarenta anos, mas antes que fizesse algo que EU me arrependeria depois fui para o banho pensar em como agir.
E Em um impulso chamei o ogrinho para conversar, perguntei se ele sabia o que significava tais palavras, falei da importância em respeitar as outras pessoas, e principalmente falei o quando eu estava triste e preocupada com o comportamento. Na verdade nem sei direito o que falei, só sei que falei, falei, falei, falei e depois saí de perto sem um beijo, um abraço, ou mesmo coloca-lo de castigo, mas lágrimas escorriam no meu rosto.
Hoje no trabalho algumas vezes este assunto me veio a mente, e confesso por vezes me desliguei completamente tentado adivinhar o que estava rolando em casa ou na escola, mas tive me-do de ligar para saber e no caminho de volta já me PRE ocupava em saber o que ele tinha aprontado e como iria resolver, mas me surpreendi. Ao chegar o encontrei tranquilo e ao perguntar como foi o dia só ouvi elogios, encerrando com a Lêle comunicando que a professora também elogiou ele hoje, e ao mesmo tempo que me senti tranquilo minha pulga se inquietou. Que diabos tinha feito o moleque se comportar melhor? E como aqui tudo tem consequências e se apronta ganha esporro, quando se comporta ganha elogios. E assim foi.
Depois da janta fui elogia-lo pelo seu comportamento e falar que hoje eu estava feliz e orgulhosa, então ganhei um abraço e ouvi: Mãe não sabia que podia te deixar tão triste, prometo que nunca mais falo aquelas palavras feias e que vou respeitar as pessoas, mesmo se eu estiver brabo e de mal humor. Doeu ver você chorando. Agora me larga que eu quero ver Rebelde.
Juro que não foi chantagem, mas se soubesse que daria certo tinha feito antes, hehe, mas sério, me surpreendi ao ver que mesmo antes de completar 6 anos muitas vezes uma conversa séria e honesta vale muito mais a pena do que milhões de gritos e hooooooras na cadeira de pensar.

De qualquer forma, como prevenção estou pensando seriamente em encomendar uma destas.


sexta-feira, 16 de março de 2012

A ferinha de cachinhos loiros.

E descobri que eu tenho uma verdadeira ferinha em casa, e não, não estou falando do Zé, cão velho e bobo, mas que vira e mexe mostra seus dentes e põe a molecada toda para correr, principalmente a Zebra, que hj está com suas pernas, alvo predileta do ‘dócil’ cão a salvo em Brasília. Estou falando da Nine. A cada dia a moleca mostra mais sua personalidade e nos surpreende com tamanha determinação e força de vontade.
 Tenho 3 filhos, convivi e convivo com inúmeras crianças, algumas difíceis, outras calminhas, muitas levadas, mas nenhuma com tamanha determinação e personalidade quanto minha pequena Nine, e muitas vezes, apesar de admirar sua capacidade de defender seu ponto de vista e de suportar pressão e chantagens maternas, me pego sem saber como agir com a pequena ou mesmo morrendo de rir quando sei que merecia uma bela bronca e castigo de 25 anos na cadeira de pensar. Lidar com a zebra criança sempre foi muito fácil, sempre uma criança dócil, educada e disposta a cooperar, nunca precisei falar mais de 2 vezes com ela e muitas vezes fui alvo de ‘inveja’ de amigas e cunhadas, afinal a zebra era aquelas crianças de manual de boas maneiras inglesa. HL veio para colocar o mundo de cabeça para o ar, desde sempre muito agitado, muito explosivo, sujeito a chuvas e tempestades. Mas mesmo sendo uma bombinha atômica em pessoa não consegue ter argumentos sólidos. Suas explosões são meramente emocionais e assim sendo ele não tem nem tempo para elaborar e argumentar...
 Mas a Nine... A Nine não, desde pequenininha já mostrava sua personalidade, com poucos meses já dormia sozinha, Nunca aceitou ‘comida de bebê’ e só aceitou comida de sal na hora que oferecemos comida de verdade, com tempero e sal. Com pouco mais de um ano, se apaixonou por uma sandália de plástico decorada com florzinhas, e quem disse que aceitava usar qualquer outro sapato? A sandália estragava e nos víamos, eu e o pobre pai percorrendo o centro da cidade até encontrar outra exatamente igual... Enquanto isto ela arrancava todo e qualquer sapato que ousássemos calçar em seus pezinhos. Ou seja, desde sempre sabíamos que a pequena ia ser osso duro, mas não estávamos preparados para uma pirralha baixinha cheia de atitude e argumentos... E agora no auge dos seus 4 anos, resolveu ‘adolescer’ antes do tempo, adora ficar hoooooras brincando sozinha ou assistindo seus desenhos preferidos, e quando chamada a se integrar sempre tem argumentos e contra argumentos válidos e fundamentados para continuar no seu mundo de fantasia... Quando quer nos convencer de algo, não se cansa de explicar a mesma coisa de 15 mil maneiras diferentes e em seguida perguntar 8.765 vezes ‘Indenteu?’  E agora como se não bastasse deu para nos enfrentar:
- ‘ Nina, pede desculpas para o seu irmão’ fala a mãe, tentando apaziguar mais uma peleia.
_’ Não vou pedir, ele também me povocou e nem adianta pedir desculpa, eu não ‘disperdoo’’ responde a pequena cheia de atitude.
_ ‘Nine, chega, vai para a cadeirinha de pensar’ Explode o pai depois de pedir para que não faça a cortina de cipó pela milionésima vez.
- ‘ não vou, se eu cair quem machuca sou eu’ Responde a pequena aventureira.
- ‘ Aline, seu pai está falando com você, presta atenção’ fala a mãe exausta.
- ‘ Eu não sou surda, só desliguei a orelha para não ouvir mais a voz dele’ responde a pequena mal criada.
- ‘ Aline, Para!!! A mamãe não aguenta mais. Vc está uma menininha respondona e feia’ Berra a mãe a beira de um ataque de nervos.
- ‘Então para que você quis ter filhos heim?’ Responde uma fedelha abusada e mal criada...
 O Cantinho de pensar já virou brinquedo, tirar ‘mordomias’ não faz nem cosquinhas, explicar que papai e mamãe ficam tristes com esta atitude e que só irão conversar quando ela falar com respeito e educação são o mesmo que falar com a parede. E aí? Fazer o que? Se morder de raiva? Comemorar o fato de ela saber argumentar e ter força de vontade e aguentar as consequências dos castigos sem mimimis, ou esperar a adolescência precoce passar e ela finalmente ser uma dócil e meiga princesinha da mamãe?
 Como agir quando se tem uma ferinha adolescentes de 4 anos e lindos cachinhos no cabelo?