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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A má criação e a conversa

HL, meu pequeno ogro tem andado com a corda toda!!! Para quieto ele nunca serviu, mas na maior parte do tempo é um menino dócil e nunca tinha apresentado problemas na escola, pelo contrario, ás professoras até estranhavam quando relatávamos as artes dele fora da escola, mas nas ultimas duas semanas, só gizuznacruz para dar jeito no moleque...
Desde que nos mudamos o moleque anda a toda, briga com a irmã, desrespeita a pobre Lêle, faz birra e chantagem e como se não bastasse começou a xingar, 'babaca, desgraçado,ordinário' viraram palavras comuns na boca do pequeno ogro e muitas vezes nos fez contar até mil para não virar a mão na boca dele, além claro de nos deixar com a pulga atras da orelha sobre onde ele aprendeu este palavreado, sou a maior boca suja que conheço, mas não falamos estas palavras aqui em casa, mesmo quando discutimos entre casal este não é o tipo de palavreado que usamos, e até onde eu saiba o vocabulário da Discoverey Kids é bem mais brando que este.
 A cada birra, ou ataque de má criação dele, brigávamos, colocávamos de castigo, confiscamos brinquedos, ele prometia que não faria de novo e não tinha jeito dali a menos de 10 minutos já estávamos berrando e nos descabelando de novo com ele... Já não sabia mais o que fazer, mas como na escola as coisas ainda estavam bem eu estava relativamente tranquila, achava que era mais uma crise  de  insegurança, provocada pela mudança e pela crise de asma e que ele estava apenas querendo chamar a atenção.
 Só que ontem ao chegar em casa do trabalho vem a triste surpresa: Um bilhete na agenda! A professora reclama do mal comportamento e alega que ao receber uma ordem ele prontamente rebate: você não manda em mim. eu faço se eu 'querer'. Como asseaaaaaaaaaaaaaam? Quis matar, quis morrer, pensei em dar uma surra com vara de marmelo ou em deixar de castigo até os quarenta anos, mas antes que fizesse algo que EU me arrependeria depois fui para o banho pensar em como agir.
E Em um impulso chamei o ogrinho para conversar, perguntei se ele sabia o que significava tais palavras, falei da importância em respeitar as outras pessoas, e principalmente falei o quando eu estava triste e preocupada com o comportamento. Na verdade nem sei direito o que falei, só sei que falei, falei, falei, falei e depois saí de perto sem um beijo, um abraço, ou mesmo coloca-lo de castigo, mas lágrimas escorriam no meu rosto.
Hoje no trabalho algumas vezes este assunto me veio a mente, e confesso por vezes me desliguei completamente tentado adivinhar o que estava rolando em casa ou na escola, mas tive me-do de ligar para saber e no caminho de volta já me PRE ocupava em saber o que ele tinha aprontado e como iria resolver, mas me surpreendi. Ao chegar o encontrei tranquilo e ao perguntar como foi o dia só ouvi elogios, encerrando com a Lêle comunicando que a professora também elogiou ele hoje, e ao mesmo tempo que me senti tranquilo minha pulga se inquietou. Que diabos tinha feito o moleque se comportar melhor? E como aqui tudo tem consequências e se apronta ganha esporro, quando se comporta ganha elogios. E assim foi.
Depois da janta fui elogia-lo pelo seu comportamento e falar que hoje eu estava feliz e orgulhosa, então ganhei um abraço e ouvi: Mãe não sabia que podia te deixar tão triste, prometo que nunca mais falo aquelas palavras feias e que vou respeitar as pessoas, mesmo se eu estiver brabo e de mal humor. Doeu ver você chorando. Agora me larga que eu quero ver Rebelde.
Juro que não foi chantagem, mas se soubesse que daria certo tinha feito antes, hehe, mas sério, me surpreendi ao ver que mesmo antes de completar 6 anos muitas vezes uma conversa séria e honesta vale muito mais a pena do que milhões de gritos e hooooooras na cadeira de pensar.

De qualquer forma, como prevenção estou pensando seriamente em encomendar uma destas.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tesouros de um mini Ogro

Como é de domínio publico me mudei de Brasília para o Rio quando o Hugo Leopoldo era ainda um bebê de colo, tinha pouco mais de 9 meses, e uma das coisas que mais ouvi na época foi se eu não me importava em separá-lo dos avós, tios e primos, em fazer com que crescesse sem o referencial de família que para mim é tão importante... Sempre falei que a distância seria apenas física, que o quê nos ligava era muito maior que 1200 KM e que encontraríamos uma forma de manter o referencial que julgo primordial na vida de qualquer um...
Niqui o tempo passou e hoje após 4 anos e meio tive a prova concreta que estava certa, que laços de amor e confiança reais precisam muito mais do que presença física para serem construídos.
 Hugo Leopoldo, apesar de ser um mini ogro declarado e de ter que ser continuamente lembrado de sua força física que pode e muitas vezes realmente faz  machucar, também é um poço de sensibilidade e carinho, e desde que soube que a avó estava com um dodói muito ruim praticamente todos os dias faz desenhos e cartinhas para a avó... Mas o que fazer com elas? Confesso que nem cheguei a me preocupar muito com o assunto, ok podem me dar 7 mil chibatadas pois sei que fui má e cruel com o guri e mereço,  mas ele se preocupou! Pegou um saco destes mais resistentes e com zíper, onde tinha vindo o cobertor dele, e começou ali a juntar seus tesouros para a avó... Praticamente todos os dias me avisava que tinha posto uma cartinha ou um desenho novo lá...
Semana passada eu ainda estava meio adormecida quando o moleque entra no meu quarto pedindo dinheiro para comprar uma caixa de bombons, dei R$20,00 e avisei que tinha troco, algum tempo depois o moleque retorna e diz que aproveitou o dinheiro e comprou DUAS caixas de bombom, questiono se é uma para ele e outra para a Nine e ele prontamente responde  ”não mãe, eu vou dividir uma com a Nine, a outra é para a vovó”....
Daí que hoje eu preciso mandar um documento da Camila para meu pai em Brasília e ontem comentei que hoje iria ao correio, prontamente HL largou tudo o que estava fazendo e correu para o seu quarto e voltou de lá com seu saco de tesouros para avó... Além das inúmeras cartas e desenhos que vem acumulando desde maio, a ultima vez em que viu a vovó, estão lá a caixa de bombom e mais inúmeras balinhas, jujubas, chicletes.... Juro que me surpreendi, não tinha nem idéia do que aqueles doces faziam ali e fui perguntar pro HL e fiquei muda ao ouvir: “sabe mãe, cada vez que tu ou o pai me dão doce, eu guardo um para a vovó, e para não perder e a Nine não comer eu já coloco o primeiro no saquinho da vovó. Você acha que ela vai gostar? ”
Não consegui segurar as lágrimas, puxei meu mini ogrinho delicado e dei o maior abraço do mundo: Claro filho, é claro que sua avó vai gostar....


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mini Ogrinho? Será?

Sexta-feira, meio da tarde e começa o enjôo característico, logo em seguida a dor na têmpora esquerda, um pouco mais e as luzinhas alucinógenas começam a piscar freneticamente diante de meus olhos. Finalmente experimentei os Cogumelos Australianos? NÃO, continuam bem guardados, mas era ela e terrível, a temida ENXAQUECA!!!!  Desta vez a bendita logo se tornou nível 9 e em pouco tempo estava infinitamente mais zureta que o normal.
Chego a casa, passo direto por menino, cachorro, gata e babá e sem sentir me jogo na cama no breu absoluto implorando que o mundo acabe numa jarra gigantesca de suco de melancia, eis que logo em seguida me surpreendo com HL, entrando nas pontas dos pés, e quase num sussurro perguntando?
“Mamãe, vc ta bem?” ao ouvir como resposta que estava numa crise horrível de enxaqueca meu pequeno prontamente me dá um beijinho super delicado na mãe e se prontifica:
“Deixa eu te ajudar mamãe. Vamos tirar este sapato, agora levanta um pouquinho a cabeça para tirar o crachá, agora os óculos escuros mamãe, que não é de manhã” enquanto falava baixinho ia realizando delicadamente as ações que descrevia... Me deu mais um beijinho e em seguida saiu do quarto. 
Nesta altura já estava encantada ao ver o quanto meu mini ogrinho conseguia ser carinhoso e delicado, mas consegui ser ainda mais surpreendida, minutos depois ele entra novamente no quarto trazendo a irmãzinha pela mão e ao chegar ao meu lado solta “Nine, agora dá um beijinho na mamãe, mas bem devargazinho que ela precisa de carinho para esta enxaqueca boba ir logo embora...”
E a sequência de carinhos se repetiu noite afora, a cada 10 minutos entrava perguntando baixinho se eu precisava de alguma coisa, se eu estava bem, como podia ajudar e o auge foi quando o moleque levanta no meio da madruga e vai até o meu quarto, ao me ver acordada apertando a cabeça com as mãos, prontamente me deita : “ mamãe, fica quietinha, deixa eu fazer massagem no seu pezinho que logo a dor vai embora” Tentei protestar que estava bem e que ele deveria ir dormir, mas nada demoveu meu pequeno mini ogrinho, e começou a massagear meus pés até que finalmente eu adormecesse. Ainda com dor, mas com a alma sorrindo...
 Sim, meu pequeno Ogrinho ficou velando meu sono até de manhã cedinho, quando papai acordou e ao procurar menino no quarto não encontrou ( Marido dormiu na sala pois o movimento dele no colchão retumba em minha cabeça enxaquecosa), encontrou ele no nosso quarto, adormecido sentadinho no chão, cabeça apoiada na cama e meus pés ainda no meio de suas mãozinhas.
 Snif snif snif... agora vô ali enxugar as lágrimas que meu ogrinho realmente conseguiu me emocionar desta vez