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terça-feira, 17 de abril de 2012

E Vc? Compara?


Tá bom, eu sei é errado comparar filhos, patati patata, ovo mole pão duro... Mas, atire o primeiro lego quem nunca o fez nem por um segundo... Evitar comparações entre a Zebra e os pequenos é mole, afinal além da imensa diferença de idade a zebra nasceu em um outro momento da minha vida, estava aprendendo a viver e confesso que muito do que descobri e do quanto evoluí foi por ela e graças a ela... É muito mais fácil eu comparar a mãe que fui/sou para a Zebra com a mãe que fui/sou para os pequenos do que fazer comparações entre ela e os irmãos...
Mas os pequenos... Podem me chicotear e me pregar na cruz das piores mães do mundo, é quase impossível não rolar comparações. Primeiro pela mínima diferença de idade entre os dois, HL é apenas 1 ano e meio mais velho que a Nine, os dois são fisicamente muito parecidos, a ponto de ,algumas antas, perguntarem se são gêmeos, apesar da Nine ser um toquinho de gente que se recusa a crescer ( será que ela terá que tomar GH? OMG lá vai a mãe surtar antes da hora.). E para completar os dois sofrem de síndrome compulsiva do macaco de imitação, tudo que um faz o outro TEM que fazer também... Mas a ‘igualdade’ para por aí, a personalidade de cada um é incrivelmente oposta.
HL não para um segundo, e parece eternamente ligado no 220, a Nine é mais tranquila, adora ficar horas em seu mundinho rodeada dos seus brinquedos, dos seus desenhos e do irmão da Dorotéia.  Enquanto HL é um tufão de emoções e as expõe de forma expansiva, seja quando fica furioso ou quando está esfuziante de alegria, a Nine é o recato em pessoinha... difícil saber o que ela realmente sente, e se vc conseguiu que ela demonstrasse, agradeça vc realmente é um privilegiado e ela confia de verdade em vc.
Por outro lado a Nine é um poço de independência, desde sempre dormiu sozinha, e hj quando a hora chega, começa sua peregrinação de tchau boa noite com todos da casa sem que ninguém mande... HL??? Ahhhhhhhhh! HL é um parto! Se deixarmos até hoje ele quer dormir no nosso quarto ou que fiquemos com ele até adormecer e acorda sempre no mínimo duas vezes e foge para nosso quarto... Na escola nova enquanto HL deu show de simpatia e já contagiou até os funcionários com suas palhaçadas, é Nine quem acolhe o irmão e dá carinho no momento da adaptação e o acalma garantindo que a Lêle estará na porta esperando eles na saída.  Já na hora das broncas e castigos, por mais nervoso e descontrolado que meu pequeno esteja, e acredite ele realmente pode perder completamente o controle por nada e num piscar de olhos, quando uso o tom de voz grave e baixo ele se toca e mesmo que esteja furioso percebe que é hora de se acalmar e refletir... Já a Nine.... Dá baile para ir para o castigo, enfrenta, questiona, empurra, saí da cadeirinha e pode gritar horas a fio como se estivesse sendo torturada... Ela sabe que por mais que demore e por maior que seja o escândalo a cadeirinha está lá e NADA irá livra-la de seu tempo de pensar nas besteiras que fez, mas ela nunca se entrega sem que antes aja muita luta...
E com tantas diferenças é obveeeeo que rolam as comparações... E quando HL está a toda me pego pensando em porque não pode ficar quietinho vendo desenho e brincando como a irmã, e quando a Nine está em seus 5 minutos, questionando a tudo e tentando nos convencer a qualquer custo de que o que ela quer é que é o certo, fico furibunda por ela não ser mais passiva a ordens como o irmão... E as comparações seguem o tempo todo, me pergunto porque diacho não consegui misturar as qualidades e defeitos dos dois ( e ainda acrescentar a eterna calma da Zebra) e ter o filho de comercial de margarina ou de tantos blogs e perfis que vemos espalhados pelas redes sociais... Mas toda vez que esta pergunta aparece à resposta também está pronta, por mais que eu tenha certeza que eu irei compara-los pelo resto da vida, eu quero os dois exatamente como são,  cheios de qualidades, repletos de defeitos mas acima de tudo autênticos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tesouros de um mini Ogro

Como é de domínio publico me mudei de Brasília para o Rio quando o Hugo Leopoldo era ainda um bebê de colo, tinha pouco mais de 9 meses, e uma das coisas que mais ouvi na época foi se eu não me importava em separá-lo dos avós, tios e primos, em fazer com que crescesse sem o referencial de família que para mim é tão importante... Sempre falei que a distância seria apenas física, que o quê nos ligava era muito maior que 1200 KM e que encontraríamos uma forma de manter o referencial que julgo primordial na vida de qualquer um...
Niqui o tempo passou e hoje após 4 anos e meio tive a prova concreta que estava certa, que laços de amor e confiança reais precisam muito mais do que presença física para serem construídos.
 Hugo Leopoldo, apesar de ser um mini ogro declarado e de ter que ser continuamente lembrado de sua força física que pode e muitas vezes realmente faz  machucar, também é um poço de sensibilidade e carinho, e desde que soube que a avó estava com um dodói muito ruim praticamente todos os dias faz desenhos e cartinhas para a avó... Mas o que fazer com elas? Confesso que nem cheguei a me preocupar muito com o assunto, ok podem me dar 7 mil chibatadas pois sei que fui má e cruel com o guri e mereço,  mas ele se preocupou! Pegou um saco destes mais resistentes e com zíper, onde tinha vindo o cobertor dele, e começou ali a juntar seus tesouros para a avó... Praticamente todos os dias me avisava que tinha posto uma cartinha ou um desenho novo lá...
Semana passada eu ainda estava meio adormecida quando o moleque entra no meu quarto pedindo dinheiro para comprar uma caixa de bombons, dei R$20,00 e avisei que tinha troco, algum tempo depois o moleque retorna e diz que aproveitou o dinheiro e comprou DUAS caixas de bombom, questiono se é uma para ele e outra para a Nine e ele prontamente responde  ”não mãe, eu vou dividir uma com a Nine, a outra é para a vovó”....
Daí que hoje eu preciso mandar um documento da Camila para meu pai em Brasília e ontem comentei que hoje iria ao correio, prontamente HL largou tudo o que estava fazendo e correu para o seu quarto e voltou de lá com seu saco de tesouros para avó... Além das inúmeras cartas e desenhos que vem acumulando desde maio, a ultima vez em que viu a vovó, estão lá a caixa de bombom e mais inúmeras balinhas, jujubas, chicletes.... Juro que me surpreendi, não tinha nem idéia do que aqueles doces faziam ali e fui perguntar pro HL e fiquei muda ao ouvir: “sabe mãe, cada vez que tu ou o pai me dão doce, eu guardo um para a vovó, e para não perder e a Nine não comer eu já coloco o primeiro no saquinho da vovó. Você acha que ela vai gostar? ”
Não consegui segurar as lágrimas, puxei meu mini ogrinho delicado e dei o maior abraço do mundo: Claro filho, é claro que sua avó vai gostar....


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Minha Infância

Atendendo a convocação da Ingrid Strelow do Blog Desconstruindo a Mãe, hoje parei para lembrar com carinho da minha Infância.
Fui criança nos anos 70 inicio dos 80... e por mais que eu tenha lembranças maravilhosas da minha infância duas me perseguem e me mostram até hoje que desde sempre fui esta criatura meiga e briguenta que sou até hoje.
A primeira estou de cavalinho nos ombros do meu pai, tinha acabado de assistir Pluft o fantasminha e tomava uma garrafa de BIDU, o precursor da Fanta uva. É até hoje é nítida a sensação de segurança e poder que aqueles ombros me transmitiam.
A outra tinha acabado de aprender a andar de bicicleta há pouco, era uma fedelha de quase 7 anos, mamãe estava chegando em casa do trabalho e me pega pulando a casa de um vizinh o que era no mínimo o triplo do meu tamanho. Ao ser questionada sobre o que eu estava fazendo de pronto foi surpreendida com minha resposta: nada não mãe, só vou ali quebrar a cara deste moleque FDP que acabou de xingar você. Não dei tempo nem de ela poder responder, entrei lá enchi a cara do moleque de sopapos levei meu quinhão de mordidas e saí de lá com a alma leve e o coração em paz.
Assim foi a minha infância sempre encontrando aconchego nos braços dos meus pais, você para curar um machucado e não foram poucos, só para exemplificar meu pai era diretor administrativo do maior hospital de Brasília e chegou a um ponto que no PS ele era só o Pai da Beta e não o DR.Berrondo e não foram poucas as vezes que mamãe largou a sala de aula para ir socorrer a filha que tinha quebrado o cotovelo, cortado a cabeça, caído de Bicicleta ou de cima de uma arvore de cabeça no chão. Ou aconchego para espantar o monstro do escuro, preparar o remédio milagroso de agua com açúcar que curava todos os meus medos, ou simplesmente ficar abraçados quando o bicho pegava feio...
Minha infância teve arvore, bicicleta, bet, voley na rua, pique pega , pique esconde e pique bandeira, quase nenhuma TV mas muito mingau  de farinha láctea, macarrão ao alho e óleo preparado por papai aos domingos acompanhado da melhor limonada suíça do mundo. E especialmente muito amor, carinho e proteção.
E hoje como mãe, espero chegar ao menos aos pés do que foram os meu Pais: Carlos Berrondo e Antonieta Berrondo. Literalmente tudo que sou devo e agradeço a vocês